As ruas do Cairo, o centro financeiro dos EUA, o Viaduto do Chá em São Paulo até podem estar geograficamente separados, mas no campo ideológico, esses espaços estão unidos. Todos teem em comum o fato de terem sido o cenário escolhido por manifestantes ansiosos em dar uma basta no apetite financeiro do neoliberalismo e seus efeitos colaterais que tem tirado o emprego e as condições dignas de sobrevivência para milhares de pessoas.
O famoso lema “um por todos, todos por um” dos Três Mosqueteiros, personagens de Alexandre Dumas, traduz o espírito dos últimos protestos ao redor do mundo. Movimentos populares organizados pelas redes e mídias sociais, mas que nunca pretenderam se limitar às ações puramente virtuais. Muito ao contrário, a internet foi apenas mais um espaço de encontro de pensamentos e inquietações semelhantes. Do twitter pra rua, esse é o caminho percorrido pelos manifestantes.
A onda dos indignados – como eles se auto-intitulam - começou em janeiro deste ano na Tunísia e teve seu dia de tsunami em 15 de outubro, quando aconteceu a Manifestação Mundial pela Democracia. Mais de 950 cidades em 82 países participaram do protesto simultâneo contra a corrupção no sistema econômico, a especulação financeira e o estreito relacionamento entre governos e empresas privadas e pelo direito que o povo tem de ser ouvido.
A luta indignada mundial tem como principais características, o modelo de mobilização que começa pela internet, principalmente através do twitter e do facebook, o apartidarismo e a realização de assembleias consensuais onde tudo é decidido por todo mundo. No Brasil, enquanto lemos esse texto, aproximadamente 300 pessoas se reúnem diariamente em um acampamento montado no Vale do Anhangabaú em pleno centro comercial de São Paulo.
Eles formam o Ocupa São Paulo – ou 15.O e montaram barracas desde o dia 15 de outubro. Juntos, gritam contra o sistema capitalista e exigem mudança completa no sistema político. Assim como na Grécia Antiga, eles acreditam que é preciso ir aos espaços públicos para expor suas reivindicações em uma verdadeira democracia participativa, onde todos possam de fato participar.
Seja em São Paulo, no Chile, na Grécia ou na Índia, os manifestantes querem ser ouvidos. E estão dispostos a fazer barulho pra isso. Ingênuos ou ousados demais, eles realmente acreditam que uma revolução começou. E eu particularmente, acredito neles.
Belo texto! Em breve do twitter pras ruas de Campina Grande? tomara...
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