terça-feira, 30 de outubro de 2012

MPF destaca papel das redes sociais para permanência dos índios Guarani-Kaiowá em MS


 
O Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em São Paulo, suspendeu operação de retirada dos índios Guarani-Kaiowá do acampamento Pyelito Kue, atendendo a pedido da Fundação Nacional do Índio, após intensa mobilização de cidadãos na internet. O Ministério Público Federal tinha feito o mesmo pedido e foi contemplado pela decisão de hoje.
"A mobilização das redes sociais foi definitiva para alcançar esse resultado. Provocou uma reação raramente vista por parte do governo quando se trata de direitos indígenas", disse o procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida, que atua em Dourados. A situação dos guarani em Pyelito Kue se tornou assunto em todo o país quando os índios divulgaram uma carta em que se declaravam dispostos a morrer em vez de deixar as terras, assim que foram notificados do despejo pela Justiça Federal do Mato Grosso do Sul.
Pela decisão de hoje, os 170 indígenas podem permanecer em uma área de 2 hectares dentro da fazenda Cambará, em Iguatemi/MS, até que os trabalhos de identificação da terra indígena sejam concluídos. Relatório de Identificação e Delimitação da Terra Indígena falta ser publicado pela Funai. A desembargadora Cecilia Mello determinou o envio da decisão à presidente da República, Dilma Rousseff e ao ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo. 
À Funai, a desembargadora determinou que "deve adotar todas as providências no sentido de intensificar os trabalhos e concluir o mais rápido possível o procedimento administrativo de delimitação e demarcação das terras". Os trabalhos se arrastam há pelo menos 3 anos, quando a Funai assinou um Termo de Ajuste de Conduta com o MPF para examinar a questão territorial dos Guarani-Kaiowá. 
Pyelito Kue
Os Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue ocupam área de reserva legal da fazenda Cambará, em Iguatemi, sul de Mato Grosso do Sul, desde novembro de 2011. Os índios se refugiaram no local - situado do outro lado do rio que corta a região - depois de ataque de pistoleiros em agosto do mesmo ano. Crianças e idosos ficaram feridos e o acampamento, montado à beira de estrada vicinal, foi destruído. 
Nota técnica da Fundação Nacional do Índio (Funai) publicada em março deste ano concluiu que a área reivindicada pelos indígenas como Pyelito Kue e Mbarakay é ocupada desde tempos ancestrais pelas etnias guarani e kaiowá. “Desde o ano de 1915, quando foi instituída a primeira Terra Indígena, ou seja, a de Amambai, até os anos de 1980 - com forte ênfase na década de 1970 -, o que se assistiu no Mato Grosso do Sul foi um processo de expropriação de terras de ocupação indígena, em favor de sua titulação privada”.
Para o Ministério Público Federal “afastar a discussão da ocupação tradicional da área em litígio equivale a perpetuar flagrante injustiça cometida contra os indígenas em três fases distintas e sucessivas no tempo. Uma quando se lhes usurpam as terras; outra quando o Estado não providencia, ou demora fazê-lo, ou faz de forma deficiente a revisão dos limites de sua área e quando o Estado-Juiz lhes impede de invocar e demonstrar seu direito ancestral sobre as terras, valendo-se justamente da inércia do próprio Estado”.

domingo, 21 de outubro de 2012

Organizado através das redes, mobilização 'Existe Amor em SP' pede mais respeito às diferenças


O movimento se diz apartidário e fez a convocação pelas redes sociais em ato por uma cidade mais solidária e livre de preconceitos; gestão de Kassab virou alvo
O ato público "Existe Amor em SP", convocado pelas redes sociais, lotou neste domingo a recém-inaugurada Praça Rousevelt.  A recomendação era para que o público comparecesse vestido de cor de rosa por uma cidade mais solidária, livre de preconceitos e intolerância. O movimento se autodeclara apartidário mas, no primeiro turno, escolheu como o alvo o candidato a prefeito Celso Russomanno (PRB). Desta vez, as críticas recaíram sobre a gestão de Gilberto Kassab.
O evento sofreu uma intervenção da Guarda Civil Metropolitana (GCM), mas depois foi liberado. O ato político-social teve início às 14h e conta com a presença de revelações musicais marcadas por discursos sobre militância e igualdade social.
Além dos jovens de todas as tribos que estão embalados pela programação, podem ser vistos pela multidão os famosos Juliano Cazarré - o Adauto da novela "Avenida Brasil" -, Paulo César Pereio e Daniel Alvin. O clima é tranquilo de acordo com a Polícia Militar. Até às 18h a corporação não havia registrado nenhuma ocorrência no local.
A CET informa que não há vias interditadas na região, mas recomenda aos motoristas que evitem as ruas Caio Prado, Martinho Prado e a Consolação pelo excesso de pedestres que acompanham a série de shows que compõem o ato.
Neste domingo se apresentam artistas como Criolo, Emicida e Gabi Amarantos. Também confirmaram presença as revelações Karina Buhr e Thiago Pethit.